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Neste exato momento a horasão do relógio não impede que alguém passe à noite com o estômago vazio. Neste instante de segundos alguém está nos frios colchões da rua. Neste exato momento o relógio não se cansa das preces de morte, de loucura, de estrelas fugitivas... Neste instante alguém não percebe a folha caindo, uma criança, um velhinho ou uma perdida bala. Nestes momentos, instantes nus de uma horasão incolor; o fiel cristão do tempo, da vida nos é constrangedor: ora alegre, ora triste. Hora tão banal, hora tão medíocre. E a horasão do relógio não recomendou a alma do morto a Deus. |
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