poema sobre a pretensão anti-clássica

Já li tantos clássicos que,

às vezes, me imagino um deles.

Já conversei com Drummond, Bocage e Homero.

Goethe, Poe, Clarisse e Rosa.

Gregório, Vieira, Assis e Azevedo.

Mas, apesar de tentar segui-los,

não me sinto nem um pouco compelido

a tornar-me um.

 

Quero repousar quando morto estiver.

Quero não ser invocado por pesquisadores.

Quero que me deixem em paz

no silêncio absoluto da fúnebre casa onde me quedarei.

Os clássicos: que sejam re-mexidos, res-gatados, re-leitos, re-torcidos.

 

A mim, peço-te sossego e esquecimento.

 

Penélope SS

08/11/07   8h:27


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